O Pan acabou.
No fim, a única discussão que ele conseguiu gerar foi sobre os direitos de transmissão, com a Record claramente querendo mais atacar a Globo do que aprender com os erros e melhorar para coberturas esportivas futuras.
E eu nem acho que a cobertura da Record foi pior ou melhor do que teria sido a da Globo. Como sempre, quem transmite quer engrandecer o produto, seja com apresentadores comemorando o primeiro ponto do primeiro set do vôlei como uma medalha de ouro, seja com comentaristas torcedores, que mais torcem do que comentam, principalmente quando amigos estão disputando as provas.
E aconteceu exatamente isso na Record, e acontece exatamente isso na Globo.
Agora, deixando a guerra das emissoras de lado, o Pan mostrou como o crescimento esportivo brasileiro é ZERO.
Na verdade tivemos um decréscimo de medalhas de ouro se comparado com o último Pan, no Rio. E se você acha que isso ocorreu porque no último éramos sede, talvez considere que esse é, então, o Pan com maior número de medalhas de ouro brasileiro, pois nunca ganhamos tantos ouros fora de casa.
Mas o que isso realmente demonstra? Nada!!!
O que conta é que mais uma vez ficamos atrás de Cuba, uma ilha com sérias dificuldades financeiras, mas que sempre, seja em Panamericanos ou Olimpíadas, está a frente do Brasil no quadro de medalhas.
Outro fator importante é que as medalhas sempre vem com os mesmos campeões. Cielo, Pereira, Hipólito, Maggi, vôlei, vela, judô, etc. O Brasil não tem política pública esportiva, nem como atividade lúdica, muito menos para o esporte de alto rendimento. E por isso não revelamos atletas olímpicos como revelamos jogadores de futebol.
Vale abrir aspas para o futebol no Pan. Diferente do que a Record quis demonstrar, o futebol masculino fez muito bem em não levar seleção melhor da que levou para o México. E não adianta dizer que a CBF só fez isso para ajudar sua parceira Globo, porque no Rio a seleção que disputou o Pan foi a Sub-20, com transmissão da Globo. E o feminino também não levou sua seleção principal, mas nesse caso por falta de apoio, pois Marta e Cristiane, duas das melhores jogadoras do munda, resolveram cumprir seus contratos a atender a seleção, no que também fizeram muito.
E não me venham com o papo de que as duas deveriam pensar primeiro no Brasil, porque o Brasil nunca pensou primeiro nelas, e se estão onde estão é por puro mérito individual.
Voltando as políticas públicas, o Brasil precisa acabar com a “máfia dos ministérios”. Não adianta cobrar resultado de um ministério que é dividido num bolo de cotas para partidos coligados, e que o utilizam para o reaparelhamento do próprio partido.
De nada adiantará a saída do ministro Orlando Silva, pois o ministério continua nas mãos de um partido que nos últimos 20 anos nada apresentou de útil para a sociedade.
O novo ministro, Aldo Rebelo, presidiu a CPI da CBF, quando então era oposição ao Governo FHC. Hoje na situação, recebeu doações para sua campanha do Itaú e de uma das empresas da AmBev, todas patrocinadoras da CBF.
O esporte brasileiro, nas mãos do PC do B e sem uma política de governo bem definida, ficará como terminou o Pan de Guadalajara, sem nenhum brilho!

