Futebol

Uma tarde nostálgica

Posted by Rodrigo Santos on January 18, 2012
Esportes / No Comments

Ontem (17 de janeiro de 2012) fui assistir Corinthians e Primeira Camisa, pela Copa São Paulo Junior 2012.

O jogo foi no Estádio Municipal Alfredo Chiavegato, em Jaguariúna, cidade do interior do São Paulo com 46 mil habitantes.

O jogo terminou 5 X 1 para o Corinthians, mas isso foi o que menos importou.

Cheguei no estádio às 15h, e por ser jogo do Corinthians imaginei que as organizadas já estariam lá.

Que nada, o estádio estava completamente vazio, e aqui completamente não representa exagero algum.

Aos poucos torcedores comuns foram chegando.

Uma moça bonita e bem arrumada. Um moço feio e mal arrumado. Pais com seus filhos. Mães com, pasmem senhoras e senhores, crianças de colo. Idosos. Idosas. As organizadas. Torcedores comuns.

Vale dizer que o estádio é muitíssimo agradável. Limpo, bem sinalizado, com jeitão de novo (a reforma foi bem feita) e muita gente trabalhando para ajudar na organização, pelo menos na área reservada para os convidados da Prefeitura e para a imprensa, onde eu estava (fui com o assessor de imprensa do Primeira Camisa).

Tinha até carrinho de golf como maca, e placa eletrônica de substituição e aviso de acréscimo. Chic no úrtimo!

O jogo foi bem dividido em gols, 3 em cada tempo.

Mas o que mais me chamou atenção foram exatamente os torcedores.

Estavam ali para se divertir.

Passar uma tarde agradável com a família, amigos e conhecidos.

Assistiam o jogo, contavam histórias e estórias. Davam risada.

Teve até um garoto de uns 7 anos que, quando o Corinthians perdeu um gol incrível, soltou um palavrão que ecoou por todo o estádio, da mesma forma que a bronca do pai.

Ao final cada um para seu lado. Uns para o bar da frente, outros para casa, mas todos felizes e satisfeitos.

Sem brigas nem confusões. Como nunca acontece, mas como deveria ser sempre.

A rivalidade é a gozação fazem parte do esporte, evidente. Ganhar e perder também.

Mas o respeito pelo próximo e pela vida está acima disso tudo.

Devemos fazer como antigamente (um tempo que não vivi, apenas ouvi falar).

Vá ao estádio, xingue, grite, ria, divirta-se. Ah, e leve seus filhos.

Os bandidos já tomaram as ruas, não podemos deixar que tomem também as arquibancadas.

Aproveite a Copa São Paulo Junior 2012.

Talvez seja a única forma de você entender o que estou dizendo.

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O país mais arrogante no futebol

Posted by Rodrigo Santos on December 19, 2011
Esportes / No Comments

O mais difícil será não escrever um livro aqui, mas vamos lá (ao final confesso que não consegui, peço desculpas).

Pensei muito sobre os problemas do Santos no jogo final do mundial de clubes.

Muricy foi mal? Foi. Inventou um esquema novo, para jogadores sem inteligência tática (brasileiros em geral).

Neymar foi mal? Foi. Não teve a frieza necessária e não procurou o jogo como deveria, justificando o futebol apresentado outras vezes.

Ganso foi mal? Não sei, afinal esse é uma incógnita. Começou até melhor que Neymar, mas hoje ninguém sabe ao certo o que esperar dele.

E o resto do time, podemos dizer que foram apáticos, passivos demais? Pode ser.

Coloquei todos os possíveis problemas na minha cabeça e misturei, juntei, separei e organizei. Então qual a conclusão?

Simples, o Santos poderia ter perdido ‘só’ de 3 X 0, ou quem sabe ‘só’ de 3 X 1. E cheguei a essa conclusão considerando que esse cenário seria possível com Neymar inspirado, com o Ganso no melhor dos dias, Muricy acertando tudo, e o resto do time jogando 110% do que pode.

Porque não adianta, o Barcelona não deixa jogar.

Eles fizeram isso com o Manchester United na final da Champions, com o Real Madrid um final de semana antes, e farão isso com todo os outros times que jogarem.

Alguns números para ilustrar o jogo ontem: o Santos deu mais de 200 toques na bola durante o jogo, o Barcelona mais de 700!

Só da dupla Xavi e Iniesta foram 210 passes certos e apenas 1 errado!!! Como diria um parente do interior “Só por Deus fio”.

Outras informações importantes: o jogador mais avançado do Barcelona no 2º tempo foi Daniel Alves, lateral direito de origem. O esquema do time foi o 3-7-0. O time teve mais de 70% de posse de bola.

Quanto a isso vale comentar duas declarações do Muricy.

A primeira quando ele disse que Guardiola precisava treinar um time no Brasil, com a pressão por resultados, para ai sim ser considerado um dos melhores treinadores do mundo.

Entendi o que ele quis dizer, sobre as dificuldades que um treinador daqui sofre. De qualquer forma não concordo. Vejo pelo lado que os dirigentes daqui são totalmente despreparados.

E não me venham com o papo da cultura nacional.

Tudo na vida pode mudar, inclusive cultura. Pode levar mais tempo do que gostaríamos, mas conseguimos a mudança com persistência e ousadia.

A segunda declaração foi sobre o treinador que quiser implantar um esquema 3-7-0 no Brasil ser preso.

O brasileiro, em geral, não quer o time com 2, 3 ou 4 atacantes. Ele quer o time atacando. Se o treinador usar 7 no meio campo, como fez o Guardiola, e desses 7 só um volante, ótimo. E se mesmo assim tiver dois volantes mas o time ser ofensivo e marcar gols, ótimo também.

O que não dá, meu caro Muricy, é jogar com 3 volantes e nenhum que saiba tocar bem a bola, ou fazer um lançamento, ou ainda se apresentar ao ataque. Além de, na maioria das vezes, laterais preocupados só em marcar.

Em resumo, os números do esquema não importam, basta fazer seu time render em campo. É isso que o torcedor brasileiro quer.

O melhor time do Brasil, talvez da América do Sul, foi atropelado ontem.

Que aprendam a lição.

E isso vale para todos os outros times.

Lição da organização e do saber o que quer.

Faz 35 anos que o Barcelona começou a reestruturar sua base.

Dos 23 jogadores levados ao Japão, 14 eram da base.

Dos 11 titulares, 9 foram formados no clube.

Uma base que serve para formar jogador. Ou você acha que o Guardiola treina fundamento?

Não, não treina. Jogador só sai da categoria de base quando ele atesta que o ‘cara’ sabe passar, cruzar, cabecear, chutar, se posicionar e todos os ‘ar’ possíveis no futebol.

Uma base que serve para enriquecer o cofre e a sala de troféus do clube, gerar renda pelo espetáculo, pelo entretenimento, não para encher bolso de empresário ou amigo do conselho, nem para cobrir rombo em caixa com venda de jogador.

Isso levou 35 anos.

Demorou, mas está pronto.

E esses jogadores formados lá deram uma aula de futebol ao Santos.

E se o Santos ontem foi um mero Real Zaragoza, imaginem como teria sido com os outros times do Brasil?

Santos que é um time do Brasil.

Brasil que é o país do futebol.

País do futebol que não é mais modelo no futsal.

País do futebol que ontem foi goleado pela Nigéria, sim está correto, na final da Copa Lagos de futebol da areia, modalidade criada por nós.

País do futebol que nunca ganhou uma olímpiada na modalidade.

País do futebol que, mesmo tendo a melhor jogadora do mundo por 5 anos seguidos, nunca ganhou sequer um título de expressão no feminino.

País do futebol que nas duas últimas participações em Copas do Mundo caiu nas quartas de final, jogando mal.

Talvez esse título tenha que ser alterado.

O deste post me parece mais adequado.

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